domingo, 29 de setembro de 2013

Divã Improvisado (Exercício 1)



Divã Improvisado


(Ronny Leal)


Quem é você, que é visto, retrato, no prato? O que digeriu, o nutriu e o que passou direto e depois do reto, no vaso caiu e no esgoto… todo sabor, todas as cores, depois, é uma cor só, um cheiro só e o sabor… Não te saboreia no esgoto, só se come quando gostoso de olhar, bom de cheirar e o gosto… imaginado, é imaginar-te como alguém que… Por que nunca é esse alguém?


Ela tem conceitos pré-formados.


Quê?


Esta que vê, o retrato, no prato.


Que tem ela?


Quem é ela?


Estou dizendo.


Sente-se confortável nesta posição ingerindo açúcar para uma receita de paciência que nunca fica pronta, só vai açúcar, não tem outros ingredientes?


É um melado. E ninguém procura paciência. É um péssimo leitor.


Que procuras num prato – vazio?


Não está vazio. Está cheio. Veja você mesmo.


Então deixe o lugar, vazio.


Sente-se. E agora, vê o quê?


Você.


Quê?


Vejo o sal que faltou no seu melado.


Sal é ruim.


Sal dá gosto.


Não adocica.


Sal realça o sabor. E o melado é só uma parte da receita.


Qual a outra?


O bolo todo com todo o resto que lhe completa.


Tudo junto dá esgoto. O bom é cada sabor separado, cada cheiro de uma vez e o gosto…


São gostos.


Uma coisa só, mistura de outras, é esgoto.


E outra coisa.


O quê?


Pessoa.

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