Divã Improvisado
(Ronny Leal)
Quem é você, que é
visto, retrato, no prato? O que digeriu, o nutriu e o que passou direto e
depois do reto, no vaso caiu e no esgoto… todo sabor, todas as cores, depois, é
uma cor só, um cheiro só e o sabor… Não te saboreia no esgoto, só se come
quando gostoso de olhar, bom de cheirar e o gosto… imaginado, é imaginar-te
como alguém que… Por que nunca é esse alguém?
Ela tem conceitos
pré-formados.
Quê?
Esta que vê, o
retrato, no prato.
Que tem ela?
Quem é ela?
Estou dizendo.
Sente-se confortável
nesta posição ingerindo açúcar para uma receita de paciência que nunca fica
pronta, só vai açúcar, não tem outros ingredientes?
É um melado. E
ninguém procura paciência. É um péssimo leitor.
Que procuras num
prato – vazio?
Não está vazio. Está
cheio. Veja você mesmo.
Então deixe o lugar,
vazio.
Sente-se. E agora,
vê o quê?
Você.
Quê?
Vejo o sal que
faltou no seu melado.
Sal é ruim.
Sal dá gosto.
Não adocica.
Sal realça o sabor.
E o melado é só uma parte da receita.
Qual a outra?
O bolo todo com todo
o resto que lhe completa.
Tudo junto dá
esgoto. O bom é cada sabor separado, cada cheiro de uma vez e o gosto…
São gostos.
Uma coisa só,
mistura de outras, é esgoto.
E outra coisa.
O quê?
Pessoa.

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